Almar o meu ser

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«Eu quando tinha programas de televisão, as pessoas diziam:

- Ai, a senhora deve ter viajado tanto!...

 Era tudo mentira. Foi tudo através dos livros.»

 

Ontem, a Literatura provou ser uma bela receita para a Cozinha. Maria Proença partilhou com a plateia os livros de gastronomia que teve como referência num debate moderado por Filipa Melo e que contou com a participação de Margarida Pereira-Müller  e de Chakall. «A melhor cozinha, é a cozinha dos restos», afirmou o cozinheiro, deixando claro que só cozinha o que conhece: «Eu não faço pratos japoneses, porque nunca estive no Japão».Margarida Pereira-Müller trouxe à mesa alguns dados de uma investigação que realizou acerca das receitas portuguesas no século XVIII: «Sobre a comida das classes populares quase ninguém fala.».

 

Um punhado de Terra é um punhado de carne

Horas antes, falou-se de teatro e poesia: «Um punhado de Terra é também um punhado de carne.», referiu Carlos Pessoa a propósito do novo livro de Pedro Eiras que foi apresentado na Feira juntamente com Telefunken de Luís Maffesi. Ambos da Deriva.

Mas foi fora das paredes do auditório da Feira do Livro que a maior parte das actividades tiveram lugar. Hora do Conto, Ciência Viva/Pavilhão do Conhecimento, construções de pequenos aviões e estrelinhas levaram pais, filhos, netos e avós a passearem-se entre os corredores do Parque Eduardo VII em busca de livros, oficinas e espectáculos.

Alice Viera, Ana Maria Magalhães, Inês Pedrosa, Maria Filomena Mónica, José Rodrigues dos Santos e Rosa Lobato de Faria foram alguns dos autores que distribuíram autógrafos entre gelados e pipocas durante a tarde.

À noite, Pedro Teixeira da Mota promoveu uma conferência intitulada: "A importância e o Significado do Humanismo e de Erasmo nos Nossos Dias". Mas a conversa não ficou por Erasmo e trouxe-nos à memória palavras que já pusemos na gaveta e que perdemos a chave: «"Almar o meu ser" é uma expressão que já não usamos e que o Fernando Pessoa utilizava.»