O livro não morrerá I

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A Revista "Os Meus Livros" dedicou a edição de Maio à Feira do Livro de Lisboa. E a Feira promoveu, ontem, o lançamento da Revista entre beijos, suspiros e queijadas de Sintra. Foi na Praça Central que João Morales, director da revista "Os Meus Livros", e Carlos Pinto Coelho aliciaram para o debate quem descia com as novidades no bolso, ou quem andava às voltas com bolos e doces regionais.

«Espero poder encontrar lá, não apenas os magníficos títulos lançados ultimamente, os grandes autores que têm nova obra nas livrarias, as grandes apostas que as editoras reservam para esta época, mas as pérolas que procuro há anos, as descobertas que nem sonhava, as raridades que as editoras esqueceram nos armazéns, os volumes que faltam em qualquer colecção.», afirma João Morales no editorial da revista.

Mas este cenário vai mudar. Nada será como dantes. E a declaração de Morales já não vai fazer qualquer sentido no próximo ano, porque tudo irá mudar. Quem o afirma é Carlos Pinto Coelho que partilhou, durante sete minutos, uma reflexão acerca do futuro do livro através de uma carta que escreveu, propositadamente, para a data deste evento.

 

O "multibanco" dos livros

Foi lançada a provocação para a plateia e a ameaça de uma nova máquina que promete ser um marco histórico depois da invenção da imprensa por Gutenberg. No público, temeu-se o fim dos alfarrabistas, das livrarias e das editoras. Mas talvez não. "As caixas multibanco não determinaram o fim dos Bancos.", afirmou o jornalista.

A carta começava assim:

«No meio da turbulência, pelo menos uma certeza existe: o livro não vai morrer. Não há naufrágio anunciado, por mais forte que seja o vendaval das tecnologias deste virar de séculos...»

Quem perdeu as palavras da tarde de ontem, não mais as ouvirá. Resta a leitura da carta. O texto não merece ser citado aos pedaços. Merece ser lido de início ao fim. Merece ser lido (também) em papel. O blogue oficial da Feira do Livro de Lisboa publica-o amanhã, esperando o leiam e não se perca o registo digital. Talvez mais tarde, com a devida autorização do autor, possa ser "engolido" por um "multibanco de livros" que esteja por perto.

 

Foto de Jorge Padeiro/Agência Zero